quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tem certos dias...


Tem dias que eu sonho com o fim de determinados objetos. Chego ao estafo e quero apenas uma caneta e um papel. Idéias na cabeça e a vontade de concatená-las. O melhor botão que já inventarão foi o de desligar.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Vamos aonde podemos ir.






Leve                                                                        Leve
Leve Leve                                         Leve Leve
Leve                              Leve
Leve Leve Leve Leve
Leve Leve
Leve








Voe.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Reposta de Manuel Bandeira

Arte de amar


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.


Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.


Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Blá, blá, blá. (chega)


Um milhão de coisas acontecendo e eu escrevo aqui, pensando que alguém, por ventura venha abrir este blog, e ainda mais ter paciência de despender minutos preciosos do seu tempo lendo algumas besteiras que eu escrevo. Por obra do curso que estou fazendo acabei conhecendo um sujeito muito interessante: Vilém Flusser. É com uma frase dele consigo responder por que mesmo sem pensar em leitores devemos continuar escrevendo.

“É falso dizer que a escrita fixa o pensamento”, escrever é na verdade, uma maneira de pensar. Todo pensamento necessita de um gesto pra se articular. Sem o gesto o pensamento se torna virtualidade, ou seja, nada. Tem idéias não escritas, não expressadas, significa não ter nada. Quem não consegue expressar seus pensamentos está dizendo que não pensa. O importante é o ato de escrever, todo o resto é um mito vazio. Le style, c'est l'homme (O estilo é o homem), como se diz. Ou: scribere necesse est, vivere non est (escrever é necessário, viver não é). (Parágrafo adaptado do Prefacio
a Filosofía del Diseño, de Vilém Flusser escrito por Gustavo Bernardo

terça-feira, 27 de julho de 2010

descobrir a cidade

     



descobrir -
v. tr.
1. Achar o ignorado, o desconhecido ou o oculto.
2. Fazer um descobrimento.
3. Chegar a conhecer.
4. Notar.
v. tr. e pron.
5. Destapar.
6. Mostrar.
7. Manifestar; revelar.
8. Avistar; ver; alcançar com a vista.
9. Impr. Inventar.
v. intr.
10. Aclarar, clarear a atmosfera; romper (o Sol) as nuvens.
v. pron.
11. Tirar o chapéu (ou o que se tem na cabeça).
12. Cumprimentar (descobrindo-se).





foto: Cris Nery               

Ócio.

Isso é bom pra gente. Tenho que me acostumar, não me cobrar tanto, como se cada segundo que fico a toa fosse um segundo perdido. Na verdade o pensamento não para nunca, então estou sempre ocupado. E se por acaso eu consiga ficar um segundo sem pensar, ainda estaria ocupado respirando. Mas por que então essa voz que fica me dizendo: - Você está perdendo tempo. Você deveria estar fazendo alguma coisa de útil.
Deveria?

What about the love?

Depois de ficarmos ali, alguns instantes olhando o nada, me vem a cabeça:
E o amor? Será?
Algumas vezes já pensei sentir amor, e já até senti de verdade. Claro além do amor familiar, que é construído através dos anos de convivência, de dedicação e carinho. Mas penso no amor gratuito, amar até mesmo quem você poderia odiar, amar o outro por ele ser semelhante, igual a você e cheio de falhas, defeitos. Penso que o melhor é começarmos por nós mesmo, admitir a nossa miserável condição e mesmo assim reconhecer as possibilidades infinitas que temos de transformação. Aí quando nos amamos temos condições de amar o outro. É um exercício diário e difícil, porém gratificante quando se consegue ir além. Não despender tanta energia com sentimentos negativos faz sobrar mais energia pra coisas produtivas.
-Amor?
-Oi.
-O que você está pensando?
-Sobre a inconstitucionalidade que existe no Brasil.
-Ah ta. Deita aqui pra eu fazer cafuné.
Deito no colo dela. E continuo pensando. Achei melhor não encher a cabeça dela com toda essa coisa de amor gratuito e tal. Tenho medo dela achar que sou do movimento hippie. Não sou do movimento hippie, acho que eles banalizaram demais o amor. Na verdade mesmo nem chamo ela de amor, ainda não consegui amá-la. E nem sei se vou algum dia. Seria hipocrisia falar tudo isso sem ao menos amá-la. Acho mais difícil amar as pessoas depois de algum tempo convivência. Aquele ser idealizado e perfeito para mim acaba se tornando um ser imbecil igual a mim mesmo e tantos outros, é complicado lidar com isso. Quando o sonho acaba. O amor continua sendo o mistério pra mim. Pode estar aqui, fazendo cafuné, ou dentro de mim. Pode ser.