Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Um milhão de coisas acontecendo e eu escrevo aqui, pensando que alguém, por ventura venha abrir este blog, e ainda mais ter paciência de despender minutos preciosos do seu tempo lendo algumas besteiras que eu escrevo. Por obra do curso que estou fazendo acabei conhecendo um sujeito muito interessante: Vilém Flusser. É com uma frase dele consigo responder por que mesmo sem pensar em leitores devemos continuar escrevendo.
“É falso dizer que a escrita fixa o pensamento”, escrever é na verdade, uma maneira de pensar. Todo pensamento necessita de um gesto pra se articular. Sem o gesto o pensamento se torna virtualidade, ou seja, nada. Tem idéias não escritas, não expressadas, significa não ter nada. Quem não consegue expressar seus pensamentos está dizendo que não pensa. O importante é o ato de escrever, todo o resto é um mito vazio. Le style, c'est l'homme (O estilo é o homem), como se diz. Ou: scribere necesse est, vivere non est (escrever é necessário, viver não é). (Parágrafo adaptado do Prefacio
a Filosofía del Diseño, de Vilém Flusser escrito por Gustavo Bernardo
Isso é bom pra gente. Tenho que me acostumar, não me cobrar tanto, como se cada segundo que fico a toa fosse um segundo perdido. Na verdade o pensamento não para nunca, então estou sempre ocupado. E se por acaso eu consiga ficar um segundo sem pensar, ainda estaria ocupado respirando. Mas por que então essa voz que fica me dizendo: - Você está perdendo tempo. Você deveria estar fazendo alguma coisa de útil.
Depois de ficarmos ali, alguns instantes olhando o nada, me vem a cabeça: E o amor? Será? Algumas vezes já pensei sentir amor, e já até senti de verdade. Claro além do amor familiar, que é construído através dos anos de convivência, de dedicação e carinho. Mas penso no amor gratuito, amar até mesmo quem você poderia odiar, amar o outro por ele ser semelhante, igual a você e cheio de falhas, defeitos. Penso que o melhor é começarmos por nós mesmo, admitir a nossa miserável condição e mesmo assim reconhecer as possibilidades infinitas que temos de transformação. Aí quando nos amamos temos condições de amar o outro. É um exercício diário e difícil, porém gratificante quando se consegue ir além. Não despender tanta energia com sentimentos negativos faz sobrar mais energia pra coisas produtivas. -Amor? -Oi. -O que você está pensando? -Sobre a inconstitucionalidade que existe no Brasil. -Ah ta. Deita aqui pra eu fazer cafuné. Deito no colo dela. E continuo pensando. Achei melhor não encher a cabeça dela com toda essa coisa de amor gratuito e tal. Tenho medo dela achar que sou do movimento hippie. Não sou do movimento hippie, acho que eles banalizaram demais o amor. Na verdade mesmo nem chamo ela de amor, ainda não consegui amá-la. E nem sei se vou algum dia. Seria hipocrisia falar tudo isso sem ao menos amá-la. Acho mais difícil amar as pessoas depois de algum tempo convivência. Aquele ser idealizado e perfeito para mim acaba se tornando um ser imbecil igual a mim mesmo e tantos outros, é complicado lidar com isso. Quando o sonho acaba. O amor continua sendo o mistério pra mim. Pode estar aqui, fazendo cafuné, ou dentro de mim. Pode ser.
Ilusão, ilusão, veja as coisas como elas são!
Muitas vezes nos enganamos, nos enganamos de toda maneira.
Enganamos quando pensamos em achar e na verdade nos perdemos estamos mais.
Não controlamos o nosso pensamento e então quando pensamos, simplesmente pensamos, porém esse pensamento acarreta uma serie de outros pensamentos e acabamos caindo num mundo contraditório quando achamos achar algo que pensamos.
Isso tudo fica muito vago falando assim. Mas quando pensamos que iludimos a todo momento. O que somos se não grandes enganadores?