sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

As coisas caminham no sentido exato do movimento.Cada um vê tudo ao seu redor de uma forma única.Pensar o mundo me faz ver.Enxergar.Valores são tão mutáveis.Percebo a subjetividade ao coletivo.Já não é mais como vivo ou como penso.É como presencio o mundo.A interação com ele me faz crescer e descobrir que não há  horizonte algum.Barreiras são para quebra-las.Rompe-las.Através  do olhar se consegue traspor o material.Chegar dentro e perceber que não somos tão maus assim.Que estamos todos aqui vivendo e compartilhando o mundo.Resquícios de de outras historias.O impossível o irreal já não me assustam mais.Tragedias,calamidades, terror já não me abalam mais.
Eu esqueço sempre nesta hora (linda, morena)
Minha velha fuga em todo impasse;
Quanto me custa dar a outra face.
O tapa estala.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Procrastinar

v.t. e v.i. Adiar, espaçar, delongar.
Usar de delongas.

Mais Ecobag?

Seria essa a nossa máxima expressão de ecologia?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Novembro passou...

Todos esses que aí estão. Atravancando meu caminho, Eles passarão... Eu passarinho!

M.Quintana

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Diante da Lei - Franz Kafka

Diante da lei está um porteiro. Um homem do campo chega e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que agora não pode permitir-lhe a entrada; O homem do campo reflete e depois pergunta se então não pode entrar mais tarde.
- É possível – diz o porteiro. – Mas agora não.
Uma vez que a porta da lei continua como sempre aberta e o porteiro se põe de lado o homem se inclina para olhar o interior através da porta. Quando nota isso o porteiro ri e diz:
- Se o atrai tanto, tente entrar apesar da minha proibição. Mas veja bem: eu sou poderoso. E sou apenas o último dos porteiros. De sala para sala porém existem porteiros cada um mais poderoso que outro. Nem mesmo eu posso suportar a simples visão do terceiro.
O homem do campo não esperava tais dificuldades: a lei deve ser acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele; agora, no entanto, ao examinar mais de perto o porteiro, com o seu casado de pele, o grande nariz pontudo, a longa barba tártara, rala e preta, ele decide que é melhor aguardar até receber a permissão de entrada. O porteiro lhe dá um banquinho e deixa-o sentar-se ao lado da porta. Ali fica sentado dias e anos. Ele faz muitas tentativas para ser admitido e cansa o porteiro com os seus pedidos. Às vezes o porteiro submete o homem a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe a respeito da sua terra natal e de muitas outras coisas, mas são perguntas indiferentes, como as que os grandes senhores fazem, e para concluir repete-lhe sempre que ainda não pode deixá-lo entrar. O homem, que havia se equipado com muitas coisas para a viagem, emprega tudo, por mais valioso que seja , para subornar o porteiro. Com efeito, este aceita tudo, mas sempre dizendo:
- Eu só aceito para você não julgar que deixou de fazer alguma coisa.
Durante todos esses anos o homem observa o porteiro quase sem interrupção. Esquece os outros porteiros e este primeiro parece-lhe o único obstáculo para a entrada na lei. Nos primeiros anos amaldiçoa em voz alta e desconsiderada o acaso infeliz; mais tarde, quando envelhece, apenas resmunga consigo mesmo. Torna-se infantil e uma vez que, por estudar o porteiro anos a fio, ficou conhecendo até as pulgas da sua gola de pele, pede a estas que o ajudem a fazê-lo mudar de opinião. Finalmente sua vista enfraquece e ele não sabe se de fato está ficando mais escuro em torno ou se apenas os olhos o enganam. Não obstante reconhece agora no escuro um brilho que irrompe inextinguível da porta da lei. Mas já não tem mais muito tempo de vida. Antes de morrer, todas as experiências daquele tempo convergem na sua cabeça para uma pergunta que até então não havia feito ao porteiro. Faz–lhe um aceno para que se aproxime, pois não pode mais endireitar o corpo enrijecido. O porteiro precisa curvar-se profundamente até ele, já que a diferença de altura mudou muito em detrimento do homem:
- O que é que você ainda quer saber? – pergunta o porteiro. – Você é insaciável.
- Todos aspiram à lei – diz o homem. – Como se explica que em tantos anos ninguém além de mim pediu para entrar?
O porteiro percebe que o homem já está no fim e para ainda alcançar sua audição ele berra:
- Aqui ninguém mais podia ser admitido, pois esta entrada estava destinada só a você. Agora eu vou embora e fecho-a.


*Um Médico Rural – Companhia Das Letras – 1999 – página 27 (Título original Ein Landarzt. Kleine Erzählungen)

sábado, 9 de outubro de 2010

“E para que serve a utopia? Eu dou um passo, o teatro dá dois passos. Eu dou dois passos, o teatro dá quatro passos. A utopia serve para isso: continuar caminhando”. Abujamra

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tem certos dias...


Tem dias que eu sonho com o fim de determinados objetos. Chego ao estafo e quero apenas uma caneta e um papel. Idéias na cabeça e a vontade de concatená-las. O melhor botão que já inventarão foi o de desligar.