segunda-feira, 12 de abril de 2010

Pequeno retrato: Feio

Atrai-me muito o feio. O feio de não ser belo. O belo de não precisar sê-lo. De ser apenas um ser e mais ou menos, sem saber ser feio, se tornar belo. Somos seres inacabados. Imperfeitos. Somos o que restou de um imbróglio. De uma criação, espertos somos. Até que ponto iremos? Estamos vivos é certo! Na alegria e na tristeza. Mas até quando? O mundo nos mostra tantos acontecimentos. Tudo ao mesmo tempo agora. Mas na verdade eu queria só ficar quieto. Tranqüilo. De preferência num lugar bem feio. Sentar ali e apreciar a feiúra. E achar tudo lindo, mesmo sabendo que não é. Pois tudo está nos olhos. Não nele propriamente, mas no fato de poder escolher e argumentar consigo mesmo. Transformar conceitos. Quebrar. Estraçalhar. Estilhaçar. Arrebentar. Gosto do feio por não ser obvio. E aprecio a beleza. Só não gosto de achar simplesmente por sê-lo. Beleza por beleza Deus já nos deu a Natureza!

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