segunda-feira, 23 de abril de 2012

Conto(s)



Esse blog tem sido feito por tempo de pequenos textos ou versos. Coisas rápidas que refletem a fluidez da vida, a minha (e a de quase todo mundo que vive neste tempo). Não que eu menospreze o poder das palavras que podem dizer muito com tão pouco, um bocado de gente se expressa tão bem assim. Esse não é o meu caso. Tenho essa dificuldade inata de me expressar. Seja com muito ou com pouco. Sei também que os dois leitores desse blog (eu e meu alter ego) não se importam tanto com o tamanho dos textos. De toda forma eles são como um registro de alguma coisa sem saber muito bem o que. Portanto o texto de hoje vai ser mais extenso. Se parecer um pouco desconexo não se preocupem a vida não é uma linha reta e o pensamento é construído por conexões inesperadas. 

Quando estamos esperando.

Fui. Sair do conforto do lar faz bem. Buscar novas experiências e ver coisas novas. É perigoso, é o que dizem. Perigoso pra mim é ficar em casa assistindo TV. No caminho ao som de Los Hermanos paisagens lindas. Minas e suas montanhas, estamos no outono e o céu estala seu azul mais bonito. Clima, o clima. Viajar não é sobre a chegada. É sobre o caminho, assim como na vida. Claro que a chegada nos interessa, mas não podemos deixa-la roubar a cena. E não seria a chegada também parte do caminho? A espera, essa espera é sempre ansiosa, você quer chegar logo para encontrar. Viver os momentos que se repetiram idealizados na cabeça, as palavras certas a dizer, o gesto de carinho, tudo o que pensou e viveu repetidamente na sua cabeça está ali agora, a espera do relógio. A espera. E quando chega a hora as coisas acontecem quase sempre diferentemente do esperado (melhor ou pior), não é como idealizado, mas de qualquer modo faz bem imaginar. 

As vezes fico vivendo e revivendo uma cena que não aconteceu. Fico passando por ela, imaginando o cenário, o clima, o cheiro, as palavras ditas e as não ditas. Várias e várias vezes repito a cena, como que uma maneira de aprimorá-la a cada passo. Fico assim até chegar ao ponto de me parecer viver aquilo. É como uma cena de um livro, só que ao invés de ler, você mesmo constrói aquela cena. 

Voltando ao encontro, para esse não tinha feito imaginar tanto. Sim, tinha me passado pela cabeça algumas cenas, algumas coisas que eu poderia dizer ou não. Mas na verdade queria apenas que chegasse logo para viver aquele momento. É, nem sempre a ideia do caminho como o percurso definitivo funciona, aproveitei o caminho, mas queria mesmo era o encontro. O encontrar é sempre cheio de versos. Primeiro está em marcar o encontro, que requer alguma atenção e um pouco de tensão. Depois a espera, as horas contadas, as idealizações. Quando chega a hora nada mais tem tanta importância. As coisas ensaiadas a dizer já não fazem mais tanto sentido, as idealizações ficam pequenas diante da beleza da realidade. O que poderia acontecer de melhor mesmo naquele encontro era o tempo parando um pouco naquela tarde e esperando. Esperando. Clichê demais? Eu diria isso se estivesse lendo esse texto. Mas quer saber, foda-se. A vida é uma sucessão de clichês, só que não.  Por mais que se diga que uma coisa é repetida, que já foi dita ou feita várias vezes por inúmeras pessoas, se engana quem pensa que essa repetição acontece. Isso não ocorre na vida. O modo como enxergamos as coisas, fatos e relações é que faz a diferença e é tudo único a medida em que vivemos. Saber aproveitar momentos como esse e tê-los na lembrança para poder reviver de vez em quando e sentir de novo aquela sensação boa de não se preocupar com nada mais.

Aquelas aquarelas

Queria passear
Me perder
Deslizar
Ver o seu sorriso me encantar, sem nada a esperar. 
O afeto descrito em versos e rimas, 
a vida contada em prosa.


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