Esse blog tem
sido feito por tempo de pequenos textos ou versos. Coisas rápidas que refletem
a fluidez da vida, a minha (e a de quase todo mundo que vive neste tempo). Não que eu menospreze o poder das palavras que podem dizer muito com tão
pouco, um bocado de gente se expressa tão bem assim. Esse não é o meu caso.
Tenho essa dificuldade inata de me expressar. Seja com muito ou com pouco. Sei
também que os dois leitores desse blog (eu e meu alter ego) não se importam
tanto com o tamanho dos textos. De toda forma eles são como um registro de
alguma coisa sem saber muito bem o que. Portanto o texto de hoje vai ser mais
extenso. Se parecer um pouco desconexo não se preocupem a vida não é uma linha
reta e o pensamento é construído por conexões inesperadas.
Quando estamos esperando.
Fui. Sair do conforto do lar faz bem.
Buscar novas experiências e ver coisas novas. É perigoso, é o que dizem.
Perigoso pra mim é ficar em casa assistindo TV. No caminho ao som de Los
Hermanos paisagens lindas. Minas e suas
montanhas, estamos no outono e o céu estala seu azul mais bonito. Clima, o
clima. Viajar não é sobre a chegada. É sobre o caminho, assim como na vida. Claro
que a chegada nos interessa, mas não podemos deixa-la roubar a cena. E não
seria a chegada também parte do caminho? A espera, essa espera é sempre ansiosa, você
quer chegar logo para encontrar. Viver os momentos que se repetiram idealizados
na cabeça, as palavras certas a dizer, o gesto de carinho, tudo o que pensou e
viveu repetidamente na sua cabeça está ali agora, a espera
do relógio. A espera. E quando chega a hora as coisas acontecem quase sempre diferentemente do esperado (melhor ou
pior), não é como idealizado, mas de qualquer modo faz bem
imaginar.
As vezes fico vivendo e revivendo uma cena
que não aconteceu. Fico passando por ela, imaginando o cenário, o clima, o
cheiro, as palavras ditas e as não ditas. Várias e várias vezes repito a cena,
como que uma maneira de aprimorá-la a cada passo. Fico assim até chegar ao
ponto de me parecer viver aquilo. É como uma cena de um livro, só que
ao invés de ler, você mesmo constrói aquela cena.
Voltando ao encontro, para esse não tinha
feito imaginar tanto. Sim, tinha me passado pela cabeça algumas cenas, algumas coisas que eu poderia dizer ou não. Mas na verdade queria apenas que chegasse logo para viver aquele
momento. É, nem sempre a ideia do caminho como o percurso definitivo funciona,
aproveitei o caminho, mas queria mesmo era o encontro. O encontrar é sempre
cheio de versos. Primeiro está em marcar o encontro, que requer alguma atenção
e um pouco de tensão. Depois a espera, as horas contadas, as idealizações.
Quando chega a hora nada mais tem tanta importância. As coisas ensaiadas a
dizer já não fazem mais tanto sentido, as idealizações ficam pequenas diante da
beleza da realidade. O que poderia acontecer de melhor mesmo naquele encontro era o tempo parando um
pouco naquela tarde e esperando. Esperando. Clichê demais? Eu diria isso se estivesse lendo esse texto. Mas quer saber, foda-se. A vida é uma
sucessão de clichês, só que não. Por mais que se diga que uma
coisa é repetida, que já foi dita ou feita várias vezes por inúmeras pessoas, se engana quem pensa que essa repetição acontece. Isso não ocorre na vida. O modo como enxergamos as coisas,
fatos e relações é que faz a diferença e é tudo único a medida em que vivemos. Saber aproveitar momentos como esse e
tê-los na lembrança para poder reviver de vez em quando e sentir de novo aquela
sensação boa de não se preocupar com nada mais.
Aquelas aquarelas
Queria passear
Me perder
Deslizar
Ver o seu sorriso me encantar, sem nada a esperar. O afeto descrito em versos e rimas,
a vida contada em prosa.
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