sexta-feira, 9 de novembro de 2012
O fluxo contínuo faz pulsar as veias e saltar os olhos. O movimento na cidade é um constante, inconstante alternar de olhares. Se me desloco aqui, viro a minha cabeça para lá. Algo me chama a atenção, me prende. Tudo acontece muito rápido, entretanto existem coisas que ficam. À espera de algo – pode ser o trem, o ônibus, o metrô ou a companheira – nos tornamos mais observadores. Prestar atenção nas coisas reforça a nossa presença como indivíduos no mundo.
Ver a imagem de uma janela esquecida e apagada no quarto andar daquele prédio desperta uma lembrança. Consigo sentir o cheiro ruim do esgoto que saindo do bueiro e o calor úmido que fazia. Era noite. Era novembro. Janelas tão diferentes, mas eram janelas. O instante em que desviei meu olhar em direção daquela janela foi insignificante. Atravessava a larga rua sem movimento naquele momento. A força daquela imagem se enraizou tão fortemente nas minhas lembranças que me acompanhará, caminhando comigo por onde eu ande, sempre a espera de uma outra janela (mesmo não sendo) da qual ela possa surgir.
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